Nos anos 1950, o Hotel do Muxito era o símbolo do luxo na Margem Sul do Tejo: piscina olímpica, campos de ténis e uma boate que atraía a elite nacional. Hoje, é um complexo abandonado em ruínas no Seixal, onde paredes pichadas e estruturas degradadas contam uma história de falência, ocupação revolucionária e lendas de assombração. Este artigo reconstitui a cronologia do Muxito com base em fontes documentais e relatos de exploradores urbanos.

Última verificação: 2026-07-23

Nome original: Estância do Muxito (também Hotel do Muxito) · Proprietário original: Empresa Lino & Zimbarra · Período de funcionamento: 1956 – 1973 · Motivo do fecho: Decadência após anos 60, abandono total · Uso atual: Abandonado; local de filmagens e exploração urbana

Como investigámos esta história

Última actualização: Fevereiro de 2025.

Fontes consultadas: artigo da revista NiT, arquivo da RTP, blogues de exploração urbana (Ruinarte, Urbex Zone, As Raízes de Amora), vídeos no YouTube, publicações no Instagram e Facebook, e fórum Portugal Paranormal.

Não visitámos o local, não entrevistámos antigos funcionários ou proprietários, e não verificámos fontes primárias de arquivo além dos documentos da RTP.

Resumo rápido do Hotel do Muxito

1 Localização
  • Vale dos Gatos, freguesia de Amora, concelho do Seixal, junto à EN10 (NiT)
2 Inauguração
  • Meados da década de 1950 (1956–1957) pela empresa Lino & Zimbarra (NiT)
3 Estado actual
  • Ruínas abandonadas, vandalizadas, usadas para exploração urbana e filmagens (ex: filme “RPG” de 2013) (NiT)
4 Proprietária histórica
  • Gordana Bayloni, da sociedade Lare‑i‑rá, que adquiriu o complexo em hasta pública após a falência (NiT)
Factos essenciais sobre o Hotel do Muxito
AtributoDetalhe
Nome originalEstância do Muxito (também Hotel do Muxito)
Proprietário originalEmpresa Lino & Zimbarra (NiT)
Período de funcionamento1956 – 1973 (cerca de 17 anos) (Urbex Zone)
Motivo do fechoDecadência após os anos 60, falência e venda em hasta pública
Uso actualAbandonado; local de filmagens, paintball e exploração urbana
Especificações do Hotel do Muxito
ItemDescrição
NomeEstância do Muxito / Hotel do Muxito
LocalizaçãoVale dos Gatos, Amora, Seixal, distrito de Setúbal, Portugal
Ano de inauguração1956 (década de 50) (NiT)
Ano de encerramento comercial1973 (Urbex Zone)
Proprietário originalLino & Zimbarra
Última proprietária conhecidaGordana Bayloni (Lare‑i‑rá)
Área aproximada9 hectares
InfraestruturasHotel, apart‑hotel, motel, restaurante, boate, piscina olímpica, campos de ténis, lagos artificiais, praça de touros, centro hípico, 13 vivendas
Estado actualRuína avançada, vandalizado, graffiti, extração de cobre

O que aconteceu com o Hotel do Muxito?

A história do Muxito é a de um empreendimento que nasceu como o expoente do turismo de luxo na Margem Sul e se desfez em escassas duas décadas. Inaugurado pela empresa Lino & Zimbarra em meados da década de 1950, o complexo incluía 13 vivendas, um centro hípico, discoteca e o que muitos descrevem como a primeira piscina olímpica de Portugal (Ruinarte). Nos anos 50 e 60, era frequentado pela elite lisboeta e por turistas estrangeiros.

Auge nos anos 50 e 60

O Muxito foi desenhado como um resort completo: dispunha de restaurante, boate, campos de ténis, lagos artificiais, uma pequena praça de touros e uma estação de serviço de autocarros. “Tinha 13 vivendas, um centro hípico, discoteca e a primeira piscina olímpica do País, era uma espécie de Éden da hotelaria”, escreveu o blogue Ruinarte, que documenta ruínas portuguesas. O sucesso do complexo reflectia o optimismo económico do final do Estado Novo e a aposta no turismo como motor de desenvolvimento. A localização, a 20 minutos de Lisboa, na então crescente Margem Sul, era uma vantagem competitiva.

Decadência e fecho em 1973

A partir do final dos anos 60, o Muxito começou a perder fulgor. Negócios ruinosos associados ao proprietário levaram à falência e à venda do complexo em hasta pública. Em 1973, a sociedade Lare‑i‑rá, liderada pela jugoslava Gordana Bayloni, adquiriu o empreendimento (Urbex Zone). No entanto, o hotel nunca mais reabriu ao público como unidade hoteleira. A falência marcou o fim da primeira vida do Muxito.

Em síntese: Em menos de 20 anos, o Muxito passou de símbolo de riqueza a propriedade falida, vendida a uma sociedade que não conseguiu relançá-lo.

Onde fica o Hotel do Muxito?

O complexo do Muxito está localizado na Cruz de Pau, na freguesia da Amora, concelho do Seixal, distrito de Setúbal. Fica na Margem Sul do Tejo, a cerca de 20 minutos de carro de Lisboa, junto à Estrada Nacional 10 (NiT). O endereço exacto é o Vale dos Gatos, uma zona que hoje conserva marcas do abandono e da vegetação que engoliu grande parte das estruturas.

Localização na Cruz de Pau, Amora, Seixal

A propriedade ocupa cerca de 9 hectares e está delimitada pela EN10 e por terrenos agrícolas. O acesso faz-se por uma estrada secundária que parte da rotunda da Cruz de Pau. Apesar de estar sinalizado em alguns mapas digitais, o local não tem qualquer indicação turística.

Margem Sul do Tejo, perto de Lisboa

A escolha do Vale dos Gatos reflectia a estratégia de expansão turística para a Margem Sul nos anos 50. A proximidade a Lisboa – atravessando a ponte 25 de Abril (inaugurada em 1966) ou usando o ferry – tornava o Muxito acessível à capital. Hoje, a zona é uma mistura de urbanização dispersa e áreas verdes, e o hotel abandonado tornou-se uma referência para exploradores urbanos e curiosos.

Porque o Hotel do Muxito fechou?

O encerramento do Muxito não teve uma causa única, mas sim uma conjugação de factores económicos, sociais e, mais tarde, políticos. A falência comercial em 1973 foi o golpe final, mas o declínio começara antes.

Declínio após os anos 60

O modelo de negócio do Muxito dependia de um turismo de elite que começou a rarear no final da década de 1960. A concorrência de novos hotéis no Algarve e na Costa da Caparica, aliada a uma gestão que alguns classificam como “ruinosa” (Ruinarte), minou a rentabilidade. O complexo, demasiado grande para a procura da época, acumulava dívidas.

Abandono gradual

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, o Muxito foi ocupado por grupos revolucionários de esquerda, que ali realizaram treino paramilitar e tiroteios. O recheio foi saqueado e grande parte do espólio desapareceu. Uma peça do Arquivo da RTP documenta a ocupação pacífica pela população local, que pretendia instalar uma colónia de férias para trabalhadores e um centro de repouso para idosos (RTP Arquivos). Entre meados dos anos 70 e 1977, parte do complexo funcionou como infantário (As Raízes de Amora). Depois disso, o abandono tornou-se total e contínuo.

Em síntese: A falência de 1973, a turbulência política pós‑25 de Abril e a impossibilidade de reabilitação económica condenaram o Muxito ao abandono definitivo a partir de 1977.

Qual é o hotel abandonado mais famoso do Brasil?

Para além do Muxito, outros hotéis abandonados ganharam notoriedade, especialmente no Brasil. O Hotel Ariaú Amazon Towers, na Amazónia, é um dos exemplos mais citados. Construído nos anos 80 como um resort de selva com quartos em torres de madeira, foi fechado ao público e hoje é uma ruína coberta pela vegetação. A sua localização remota e a arquitectura icónica fizeram dele um símbolo do abandono na Amazónia (YouTube – exploração urbana).

Outro nome recorrente é o Rosewood São Paulo, que, ao contrário do Ariaú, é um hotel em pleno funcionamento e considerado o único 6 estrelas do Brasil. A comparação mostra como o destino de um hotel depende de factores de localização, gestão e contexto económico.

Porque o hotel Ariaú fechou?

O Hotel Ariaú Amazon Towers encerrou por dificuldades financeiras e logísticas típicas de empreendimentos em regiões de difícil acesso. Apesar de ter sido um marco do ecoturismo na Amazónia, a falta de manutenção, o isolamento e a queda no número de visitantes inviabilizaram a sua operação. Diferentemente do Muxito, que estava perto de Lisboa e teve uma ocupação social após o 25 de Abril, o Ariaú simplesmente parou de funcionar e foi engolido pela floresta (YouTube – A MALDIÇÃO DO HOTEL MUXITO).

A comparação entre os dois hotéis abandonados revela padrões comuns: investimentos ambiciosos, contextos políticos e económicos adversos, e a incapacidade de adaptação a novas realidades de mercado.

Linha do tempo do Hotel do Muxito

  1. Meados da década de 1950 (c. 1956): Inauguração do Complexo Turístico do Muxito pela empresa Lino & Zimbarra. (NiT)
  2. Anos 1950–1960: Auge do Muxito como resort de luxo. (NiT)
  3. 1973: Falência e encerramento comercial; venda em hasta pública à sociedade Lare‑i‑rá (Gordana Bayloni). (Urbex Zone)
  4. 1974–1975: Ocupação do complexo por grupos revolucionários e pela população local. (RTP Arquivos)
  5. Até 1977: Funcionamento de um infantário no local; depois, abandono total. (As Raízes de Amora)
  6. 1999: Morte de Gordana Bayloni, última proprietária com capacidade financeira. (NiT)
  7. Anos 2000–presente: Ruína avançada, vandalismo, uso para paintball, vídeos de urbex e filmagens (ex: “RPG”, 2013).

Como chegar ao Hotel do Muxito

O Hotel do Muxito fica na Cruz de Pau, Amora, Seixal. De carro, saindo de Lisboa pela Ponte 25 de Abril, siga pela A2 em direcção ao Seixal, saia na Amora e continue pela EN10 até à Cruz de Pau. O acesso ao complexo é por um caminho de terra batida, visível nos mapas como “Vale dos Gatos”. Não há transporte público directo, mas autocarros da Carris Metropolitana param na Cruz de Pau.

Aviso: O local é uma ruína perigosa – estruturas instáveis, buracos e materiais cortantes. A entrada não é fiscalizada nem recomendada. A visita é por conta e risco.

Alternativas: outros hotéis abandonados emblemáticos

  • Hotel Ariaú Amazon Towers (Brasil): Resort de selva abandonado na Amazónia, com torres de madeira.
  • Hotel do filme Somewhere in Time (EUA): O Grand Hotel em Mackinac Island, Michigan, ainda em funcionamento – não confundir com o Muxito.
  • Rosewood São Paulo (Brasil): Hotel 6 estrelas em operação, contrasta com o abandono do Muxito.

“Tinha 13 vivendas, um centro hípico, discoteca e a primeira piscina olímpica do País, era uma espécie de Éden da hotelaria.”

– Autor do blogue Ruinarte, blogger de exploração de ruínas

“O Muxito foi um empreendimento turístico de luxo que fez furor nos anos 50 e 60 do século XX.”

– Narrador do vídeo HOTEL ASSOMBRADO MUXITO, criador de conteúdo de exploração urbana

Leitura relacionada: Hotel Rex Porto: avaliação da mansão histórica no centro ? O que é um resort hotel? Definição, características e diferenças

Fontes adicionais

youtube.com, jornalcomerciodoseixalesesimbra.wordpress.com, youtube.com, youtube.com

Outro exemplo de abandono na Margem Sul é o Hotel Orion Fernão Ferro, que também já foi um polo de atração turística.

Perguntas frequentes sobre o Hotel do Muxito

O Hotel do Muxito é assombrado?

Circulam lendas sobre assombrações, incluindo relatos de um casal norte‑americano encontrado morto numa vivenda e alegações de rituais em quartos. No entanto, estas histórias aparecem apenas em blogs, fóruns e vídeos de conteúdo paranormal, sem qualquer confirmação documental. O blogue Ruinarte classifica-as como “narrativas não verificadas”. O Muxito é, antes de mais, um local de exploração urbana, não um caso comprovado de fenómenos paranormais.

Pode visitar o Hotel do Muxito?

Sim, é possível aceder ao perímetro, mas o complexo está em ruínas avançadas, com estruturas instáveis, graffiti e lixo. Não há vigilância nem visitas guiadas. A NiT alerta para os perigos e recorda que se trata de propriedade privada. A visita é por conta e risco.

O que resta do Hotel do Muxito hoje?

Restam as paredes do edifício principal, a estrutura da piscina olímpica, algumas vivendas em ruínas, os lagos artificiais secos e muito lixo. O local é intensamente vandalizado: há extração de cobre, graffiti e vestígios de festas e paintball (Ruinarte).

Qual a relação do Hotel do Muxito com filmes?

O Muxito serviu de cenário para o filme português de ficção científica “RPG” (2013), dirigido por Paulo Leite. A atmosfera de decadência e mistério faz dele um local atrativo para produções de baixo orçamento.

O Hotel do Muxito vai ser restaurado?

Não há, até à data, nenhum plano público de restauro ou reabilitação. A propriedade permanece em mãos privadas (herdeiros de Gordana Bayloni) e o elevado custo de recuperação, aliado à localização e ao estado de degradação, torna uma intervenção improvável a curto prazo.

Onde fica o hotel do filme Somewhere in Time?

O hotel usado no filme Somewhere in Time (1980) é o Grand Hotel em Mackinac Island, Michigan, EUA. Não tem qualquer relação com o Hotel do Muxito.

Qual é o único hotel 6 estrelas do Brasil?

O Rosewood São Paulo é considerado o único hotel com classificação 6 estrelas no Brasil, segundo diversas publicações de turismo. Está em pleno funcionamento.

Em resumo: O Rosewood São Paulo é considerado o único hotel com classificação 6 estrelas no Brasil, segundo diversas publicações de turismo. Está em pleno funcionamento.

Fontes citadas nesta investigação

  • NiT – “Do luxo às ruínas: o hotel abandonado na Margem Sul que muitos dizem estar assombrado”
  • RTP Arquivos – “Ocupação do Complexo Turístico do Muxito”
  • Ruinarte – “O Hotel do Muxito, Cruz de Pau, Seixal”
  • Urbex Zone – “Hotel do Muxito, Cruz de Pau, Portugal”
  • As Raízes de Amora – “O Muxito: o grito do progresso, a decadência e o abandono”
  • YouTube – Abandoned Muxito hotel resort (exploração urbana)
  • YouTube – HOTEL ASSOMBRADO MUXITO COM QUARTO DE RITUAIS!! PT2
  • YouTube – A MALDIÇÃO DO HOTEL MUXITO
  • Fórum Portugal Paranormal – tópico sobre o Muxito